Georges Dumézil

Georges Dumézil foi um linguista e filólogo francês, nascido em Paris em 4 de março de 1898, falecido na mesma cidade em 11 de outubro de 1986. Acadêmico e estudioso do comparativismo mitológico, Dumézil tornou-se conhecido pelo seu trabalho e estudo sobre as sociedades e as religiões indo-europeias.

 Filho de um classicista, Dumézil interessou-se por idiomas e línguas antigas em tenra idade. Após terminar o colégio, não foi surpresa quando ele ingressou na École Nationale Supérieure, em 1916, com então 18 anos, para estudar a linguísticas e clássicos. No entanto, seus estudos tiveram que ser adiados devido à Primeira Guerra Mundial, quando foi recrutado para servir como oficial de artilharia, de março de 1917 a fevereiro de 1919. Depois da guerra, ele concluiu seus estudos e obteve a sua agrégation em Literatura Clássica, em 1921. Foi em 1922, depois de ter lecionado alguns meses em Beauvais, na Universidade de Varsóvia, que Dumézil retornou à França para iniciar seu doutorado e escrever suas duas teses sobre História das Religiões e Mitologia Comparada, sob a orientação de Antoine Meillet, obtendo o grau em 1924.

 Sua primeira tese, intitulada Festin d’immortalité. Étude de mythologie comparée indo-européenne, faz uma comparação entre a ambrosia, a bebida dos deuses gregos que confere a imortalidade, com uma bebida mitológica indiana com características similares, a amrtâ. Contudo, ela não é limitada à comparação de duas religiões, incorporando elementos de diversas mitologias indo-europeias. A segunda é intitulada Le Crime des Lemniennes. Rites et Légendes du monde égéen.

Mais tarde, Georges Dumézil mudou-se para a Turquia, tornando professor da cadeira de História das Religiões na Universidade de Istanbul, em 1925, aonde lecionou por seis anos. Lá ele aprendeu tuco e viajou pela Rússia e pelo Cáucaso, conhecendo a mitologia e o idioma da ossétia, uma língua de origem indo-europeia deste lugar. Ele também estudou a língua de ubykh, um idioma de uma etnia conquistada pelos Russos e que se refugiou na Turquia Ocidental. Devido a essas experiências, Dumézil foi considerado o caucasologista mais importante no Ocidente.

Ele deixou a Turquia em 1931, quando mudou-se para a Suécia, tornando-se de Professor na Universidade de Uppsala. Na Suécia, ele aperfeiçoou seu conhecimento de mitologia nórdica e teve a possibilidade de aprender um novo idioma. Ele deixou o cargo em 1933, retornando para a França em seguida, aonde assumiu o posto de Professor de Estudos Regiosos na École Pratique des Hautes Études partir da indicação do indologista Sylvain Levi.

Dumézil foi nomeado membro do prestigiado Collège de France em 1949, ocupando a cadeira de Civilização Indo-europeia, criada especialmente para ele, permanecendo lá por quase vinte anos, quando se aposentou em 1968. Nos três anos seguintes, de 1968 a 1971, Dumézil mudou-se para os Estados Unidos, lecionando na Universidade de Princeton.

Foi ainda nomeado doutor honoris causa pela Universidade de Uppsala em 1955, pela Universidade de Istambul em 1964, de Berna em 1969, e de Liège em 1979. Foi membro associado da Académie Royale de Belgique (1958), membro da Académie des Inscriptions et Belles Lettres de Paris (1970), membro honorário do Royal Irish Academy, Section of Polite Literatura and Antiquities (1974), companheiro honorário do Royal Anthropological Institute of Great Britain and Ireland (1974). Eleito para a Académie Française, em 26 de outubro de 1978, ocupou a cadeira de Jacques Chastenet (cadeira 40) e foi recebido ao abrigo da cúpula em 14 de junho de 1979 por Claude Lévi-Stauss.

Como citar esta página:

SICILIANI, Bruna Casimiro. Georges Dumézil. Porto Alegre, 2012. Disponível em < https://brunasiciliani.wordpress.com/artigos-cientificos/georges-dumezil >